Homenagem a um dos Grandes Poetas de África e da Língua Portuguesa, José Craveirinha. 1922/2003 6 de Fevereiro de 2011 1 Viver o presente, lembrando o passado.
Homenagem a um dos Grandes Poetas de África e da Língua Portuguesa, José Craveirinha. 1922/2003 6 de Fevereiro de 2011 1 Viver o presente, lembrando o passado.
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José Craveirinha José João Craveirinha nasceu em Lourenço Marques, a 28 de Maio de 1922, e faleceu em Maputo, a 6 de Fevereiro de 2003. É considerado o maior poeta de Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Como jornalista, colaborou nos periódicos moçambicanos “O Brado Africano”, “Notícias”, “Tribuna”, “Notícias da Tarde”, “Voz de Moçambique”, “Notícias da Beira”, “Diário de Moçambique” e “Voz Africana”. Utilizou os seguintes pseudónimos: Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa. Foi presidente da Associação Africana na década de 1950. Esteve preso entre 1965 e 1969 por fazer parte de uma célula da 4.ª Região Político-Militar da Frelimo. Primeiro Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987. 2 Viver o presente, lembrando o passado.
Autobiografia
«Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres. Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato… A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão. E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique. A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta. 3 Viver o presente, lembrando o passado.
Autobiografia
Nasci ainda outra vez no jornal “O Brado Africano”. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa. Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso. Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação. Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta. Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis. Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.» 4 Viver o presente, lembrando o passado.
Obras publicadas
Xigubo. Lisboa, Casa dos Estudantes do Império, 1964. 2.ª ed. Maputo, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1980 Cântico a un dio di Catrame (bilingue português/italiano). Milão, Lerici, 1966 (trad. e prefácio Joyce Lussu) Karingana ua karingana. Lourenço Marques, Académica, 1974. 2.ª ed., Maputo, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1982 Cela 1. Maputo, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1980 Maria. Lisboa, África Literatura Arte e Cultura, 1988 Izbranoe. Moscovo, Molodoya Gvardiya, 1984 (em língua russa) 5 Viver o presente, lembrando o passado.
Prémios
Prémio Cidade de Lourenço Marques (1959) Prémio Reinaldo Ferreira do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961) Prémio de Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961) Prémio Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, Portugal (1962) Prémio Nacional de Poesia de Itália (1975) Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos (1983) Medalha Nachingwea do Governo de Moçambique (1985) Medalha de Mérito da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Brasil (1987) Prémio Camões (1991) 6 Viver o presente, lembrando o passado.
Excerto do Poema: “Grito Negro”
Eu sou carvão!E tu arrancas-me brutalmente do chãoe fazes-me tua mina, patrão.Eu sou carvão!E tu acendes-me, patrão,para te servir eternamente como força motrizmas eternamente não, patrão.Eu sou carvãoe tenho que arder sim;queimar tudo com a força da minha combustão.Eu sou carvão;tenho que arder na exploraçãoarder até às cinzas da maldiçãoarder vivo como alcatrão, meu irmão,até não ser mais a tua mina, patrão.Eu sou carvão.Tenho que arderQueimar tudo com o fogo da minha combustão.Sim!Eu sou o teu carvão, patrão 7 Viver o presente, lembrando o passado. Fonte: http://mocambiquesaudades.webnode.com.pt/poemas/
8 Viver o presente, lembrando o passado. Se queres que algo mude, sê tu a própria mudança.
Actividade elaborada por:
Paula Carneiro 10ºD Nº12 Sara Gomes 10ºD Nº16 Diogo Pinto 10ºD Nº21 Luciana Cerqueira 10ºD Nº22 9 Viver o presente, lembrando o passado.
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